Passivo Bancário · Busca e Apreensão

Busca e apreensão do carro: o banco pode fazer isso e como se defender

Parou de pagar o financiamento e o banco ameaça ou já pegou o carro. Entenda o prazo de 5 dias, o que é a purgação da mora, e como contestar.

Para o Leigo · Passivo Bancário 2026-03-25 7 min de leitura

O financiamento do carro atrasou. O banco ligou várias vezes. E agora chegou uma intimação — ou pior, um oficial de justiça apareceu para levar o veículo. O que você pode fazer?

O banco pode mesmo tomar o carro?

Sim. Quando você financiou o veículo, na maioria dos casos o banco ficou como "proprietário fiduciário" — e você como "devedor fiduciante". Isso significa que, tecnicamente, o carro já é do banco até você terminar de pagar. Se você para de pagar, o banco tem o direito de pedir ao juiz uma ordem de busca e apreensão para recuperar o veículo.

Esse processo é regulado pelo Decreto-Lei 911/69, que é muito mais rápido que uma execução comum. O banco não precisa provar praticamente nada além do contrato e dos boletos em aberto.

O prazo de 5 dias: o mais importante

Depois que o carro é apreendido — ou depois que você é intimado da liminar de busca e apreensão — você tem 5 dias para fazer o que a lei chama de purgação da mora: pagar as parcelas em atraso (só as atrasadas, não o saldo total) e recuperar o veículo.

Esse prazo de 5 dias é a janela de oportunidade mais importante. Se você conseguir pagar os boletos vencidos dentro desse prazo, o carro volta para você e o processo é encerrado.

Importante: o STJ decidiu (Tema 1.051) que você pode purgar a mora pagando apenas as parcelas em aberto — não o contrato inteiro. O banco não pode exigir a quitação total do financiamento como condição para devolver o carro.

E se eu não tiver o dinheiro das parcelas atrasadas?

Existem outras defesas possíveis, dependendo do seu caso. As principais são:

O processo foi rápido e o carro já foi vendido. Ainda dá para fazer algo?

Se o banco vendeu o carro rapidamente e o valor obtido no leilão não cobriu o saldo devedor, ele pode cobrar a diferença de você. Mas também pode acontecer o contrário: se o carro foi vendido por mais do que a dívida, você tem direito ao excedente. Em qualquer dos casos, é possível contestar o valor do leilão se ele for manifestamente abaixo do mercado.

Não entregue o carro "por bem" sem orientação jurídica. Entregar voluntariamente parece mais fácil, mas pode te prejudicar — você perde o prazo de 5 dias e pode ainda ficar devendo a diferença se o banco vender o carro barato.

Se sua situação envolve financiamento de veículo, revisão de contrato bancário ou qualquer outra dívida com banco, veja nossa página sobre defesa em passivo bancário e as perguntas frequentes sobre busca e apreensão.

Adelmar Filho — Advogado
Adelmar Filho
Advogado · Defesa do Executado · ASF Sociedade de Advocacia
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A ASF Sociedade de Advocacia, com mais de 25 anos de atuação na defesa do executado, elaborou este conteúdo com base em jurisprudência consolidada.

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