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A dívida da empresa pode ser cobrada no CPF do sócio?

A regra geral é clara: a dívida da empresa é da empresa. O patrimônio dos sócios, em princípio, não responde pelas obrigações da pessoa jurídica. Mas existem exceções — e elas são mais comuns do que deveriam ser, especialmente em execuções fiscais e trabalhistas.

Na execução fiscal: redirecionamento ao sócio

A Fazenda Pública pode pedir o redirecionamento da execução fiscal ao sócio-administrador quando há:

Dissolução irregular da empresa — quando a empresa deixou de funcionar no endereço cadastrado sem comunicar aos órgãos competentes. A Súmula 435 do STJ presume a dissolução irregular nessa situação e autoriza o redirecionamento.

Confusão patrimonial — quando há mistura entre o patrimônio da empresa e o patrimônio pessoal dos sócios.

Débitos previdenciários e FGTS — que têm regime especial de responsabilidade tributária (art. 135, III, CTN).

O Tema 444 do STJ (REsp 1.101.728/SP) fixou que o ônus de comprovar a dissolução irregular é da Fazenda — não do sócio. Isso significa que a Fazenda precisa demonstrar que a empresa não está funcionando, e não o sócio que precisa provar que está.

Na esfera cível: desconsideração da personalidade jurídica

A desconsideração da personalidade jurídica (arts. 133 a 137 do CPC, art. 50 do Código Civil) exige comprovação de abuso da personalidade jurídica — desvio de finalidade ou confusão patrimonial. A Lei 13.874/2019 (Lei de Liberdade Econômica) reforçou que o mero inadimplemento não é fundamento suficiente. É o que os doutrinadores chamam de "teoria maior" da desconsideração.

Na esfera trabalhista: teoria menor

Em dívidas trabalhistas, os tribunais aplicam a "teoria menor" da desconsideração — que exige apenas a comprovação de insolvência da empresa, sem necessidade de demonstrar abuso. O padrão de prova é significativamente mais baixo, o que torna a inclusão de sócios em execuções trabalhistas mais frequente e mais difícil de contestar.

Teses de defesa do sócio

Ilegitimidade: se o sócio não era administrador, não tinha poder de gestão e era apenas cotista ou investidor, não deveria ser incluído.

Prescrição do redirecionamento: o prazo para redirecionar ao sócio é de 5 anos, contados da dissolução irregular ou do ato ilícito. Se ultrapassou, a cobrança contra o sócio está prescrita.

Mero inadimplemento: na esfera cível, o simples fato de a empresa não pagar dívida não justifica desconsideração (Súmula 430/STJ).

Comprovação de atividade regular: se a empresa está em funcionamento no endereço cadastrado, a presunção de dissolução irregular é afastada.

Ex-sócio pode ser cobrado?

Depende. Se a retirada do quadro societário ocorreu antes do fato gerador da dívida e está documentada na alteração do contrato social registrada na Junta Comercial, há forte argumento de ilegitimidade. O prazo de redirecionamento é autônomo — se a Fazenda demorou mais de 5 anos para incluir o ex-sócio, a cobrança pode estar prescrita.

MEI e Empresário Individual: sem proteção

O MEI (Microempreendedor Individual) e o Empresário Individual não têm separação patrimonial entre pessoa física e jurídica. Todas as dívidas da empresa respondem diretamente no CPF do titular, sem necessidade de desconsideração.

A ASF Advocacia, com sede no Rio de Janeiro e atuação em todo o território nacional, atua exclusivamente na defesa de executados e devedores desde 1998. O escritório é dirigido pelo advogado Adelmar Filho e tem experiência consolidada em casos de penhora online, execução fiscal, proteção do bem de família, defesa contra bancos e desconsideração da personalidade jurídica. Cada caso é avaliado individualmente antes de qualquer compromisso de contratação — porque nem toda execução tem defesa viável, e a honestidade sobre isso faz parte do serviço.

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